O que esperar do futuro, o que fazer no presente?

Estamos iniciando um novo ciclo com muitas possibilidades, com receios e temores, com esperanças e sonhos, mas vivendo um período de grandes discordâncias em nosso país e no mundo. Essa situação pode ser muito rica para quem souber cultivar relacionamentos ou muito infeliz para quem não conseguir criar parcerias e oportunidades.
Tutores e pacientes, fornecedores, equipamentos e produtos, funcionários e colegas, familiares e comunidade, tudo vai solicitar de nós atenção e cuidado para atravessar os tempos que se apresentam.
A regra áurea, ponto central da maioria das filosofias, religiões e reflexões desenvolvidas pela humanidade ao longo de nossa evolução, nos orienta a oferecer aos demais aquilo que gostaríamos que nos fosse oferecido e a tratar os outros como gostaríamos de ser tratados. Simples, mas nada banal.
É uma regra áurea porque sugere regulamentar nossas relações de modo que não sejam uma mera disputa, uma tentativa velada ou aberta de impor nossos interesses ou fazer prevalecer nossas razões e ideias até o limite de recorrer à deslealdade para conseguir isso; ao contrário, propõe criar um terreno comum de entendimento em que o revide e a violência, em todas as suas formas, estejam ausentes.
É um princípio civilizatório essencial, democrático, voltado para o interesse comum. Tão essencial quanto mal compreendido e pouco observado.
Com essa ideia como norte (ou talvez fosse mais apropriado dizer como sul, ou leste, ou mesmo oeste), tudo aquilo que possamos construir no presente se apresentará no futuro com a solidez de um caminho feito a partir de um âmbito mais real e também mais amplo de compartilhamento e de negociação com os outros, e dentro de uma realidade mais abrangente e sólida que aquela que seja definida apenas por nossos interesses e convicções.
Em meio a todo o desrespeito, a toda a violência, covardia e cegueira que nos cercam, nossa única chance de esperar um mundo melhor passa, portanto, pelo cultivo do entendimento, da delicadeza, do respeito, da solidariedade, do perdão e da compaixão. Qualquer outra estratégia que não coloque esse pacto fundamental, essa regra áurea como base estará fadada ao fracasso, mais cedo ou mais tarde, sob um aspecto ou outro. Sem essa regra como guia, somos muito mais vulneráveis. Tendo-a como guia, fazendo dela a nossa realidade, teremos uma defesa segura, independentemente de todo o mal e de todas as armadilhas e imprevistos que possam estar à nossa volta.
Neste nosso universo bombardeado por informações marcadas pela unilateralidade, pela tendenciosidade, pela irrealidade ou até mesmo pelo intuito principal de manipulação, torna-se cada vez mais complexo fazer boas escolhas. Estamos muito distantes do porte moral, por exemplo, de um Isaac Newton, que, depois de formular os princípios da gravitação, teve a honestidade intelectual de confessar sua perplexidade perante a estranha propriedade da matéria de agir à distância sobre outros corpos. No extremo oposto dessa meticulosa discriminação, temos hoje a assimilação passiva do bombardeio de fake news, a naturalização da pós-verdade, a confusão gerada por essa criação proposital que nos é imposta de uma pseudorrealidade de contornos e sentidos vagos, ambíguos e indefinidos.
Um mar revolto e insatisfatório. Daí a importância de uma âncora. Daí a necessidade de se adotar como princípio de vida e de ação o respeito, a solidariedade, o perdão e a compaixão. Trata-se de ir muito além de dar a outra face. Trata-se de buscar uma solução criativa, que não seja o mero revide, a violência do olho por olho, dente por dente, a tentação de construir a ficção de uma raiva justa.
Que o ano de 2019 nos sirva como oportunidade para alcançar um novo patamar no qual a nossa maneira de encontrar soluções passe pelo cultivo da intuição e por uma conexão com a essência silenciosa de nossa mente, com uma sabedoria maior do que a precariedade de espírito na qual nossa espécie se debate por todo o planeta.
Que possamos, neste 2019, aproveitar as oportunidades de evolução pessoal em nossos relacionamentos, sejam eles com os animais não humanos ou com os tutores, fornecedores, funcionários, colegas, amigos e familiares.

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