Espaço de saúde animal: diferenciação, processo de trabalho e exigências

O imóvel como promotor do seu negócio

Renato Couto Moraes 

MV, CRMV-SP: 16.509, mestre, dr., engenheiro-civil especializado em arquitetura de saúde

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Você logo percebe, ao entrar em um hospital destinado à saúde humana, que cada coisa tem um lugar certo para ficar, desde as cadeiras até o emissor de senha. A divisão entre a recepção e o setor de atendimento clínico é óbvia. Ao andar pelos corredores, essa sensação de um lugar apropriado para saúde fica evidente. Portanto, você sabe, mesmo intuitivamente, que um “hospital humano” tem uma arquitetura especializada.

E qual é sua sensação ao entrar num ambiente destinado à saúde animal – seja um ambulatório, uma clínica, um hospital ou um laboratório veterinários?

Você não tem sempre a mesma sensação anteriormente descrita, independentemente do lugar – ou seja, aquela de entrar num “hospital humano”.

Pois é – essa arquitetura especializada de ambientes de saúde é chamada de arquitetura hospitalar. Tema vanguardista na medicina veterinária, haja vista que a maioria de nós, médicos-veterinários, não a percebemos no dia a dia, mas que é obrigatória para o funcionamento dos estabelecimentos de saúde animal e, mais ainda, para um efetivo suporte ao sucesso dos negócios.

A competitividade é cada vez maior, e já contamos com cerca de 100 mil estabelecimentos pet no Brasil, em todos os segmentos, tanto de comércio como de atendimento veterinário. Diante desse cenário, torna-se imperativo mostrar a qualidade da sua empresa aos seus parceiros internos (outros profissionais) e externos (público em geral).

O cliente tem que perceber toda a qualidade do seu negócio, mas como fazer isso de forma eficiente? Devemos lembrar que a percepção do cliente capta aspectos visuais logo nos primeiros instantes, assim que ele entra no local. O médico-veterinário empreendedor deve entender, portanto, que qualquer situação em sua empresa contribui com a percepção do cliente sobre o seu negócio – ou a prejudica –, como a fachada, o estacionamento, a recepção, a disposição dos produtos, o uniforme dos colaboradores e a limpeza do ambiente, entre outros fatores.

Um espaço de saúde animal deve ter uma arquitetura especializada e específica adaptada às suas condições particulares, desde as espécies animais atendidas até os tipos de serviços empregados para garantir os quesitos de proteção, promoção e recuperação da saúde, além de conforto e bem-estar animal. 

Soluções construtivas no imóvel trazem importante diferenciação para segmentar seu público-alvo e seu tipo de negócio. Por exemplo, se você deseja atender a um número maior de gatos, faz total sentido ter uma recepção dedicada aos felinos (Figura 1), e também um consultório especializado. Detalhando, uma recepção para gatos deve estar acusticamente protegida de latidos de cães, ter ventilação constante, para evitar algum mau cheiro de algum animal, luminosidade controlada, preferencialmente com temperatura de cor quente, e uma mesa apropriada, para a caixa de transporte não ficar no chão enquanto o cliente espera pelo atendimento. Um consultório especializado para atender felinos, além dos fatores já mencionados, deve conter obrigatoriamente tela nas janelas, porta com mola aérea,rolo de proteção descartável sobre mesa de inox, etc.

Figura 1 – Sala de espera para gatos modelada para atender as necessidades especificas desses animais e seus tutores, na qual vê-se um quadro que assegura tratar-se de uma recepção exclusiva para felinos. Observar o apoio para a caixa de transporte junto ao assento, a pintura colorida das paredes, menos refletiva do que uma branca

Além disso, se você deseja atender às classes A e B, é interessante ter uma fachada comercial, e não aquela aparência de uma residência familiar adaptada (Figura 2).

Figura 2 – Totem de fachada comercial idealizada para personalizar o empreendimento e passar seu comprometimento com os serviços que oferece. Vê-se logomarca em evidência e parte nominativa abaixo, indicando o segmento veterinário ao qual o empreendimento pertence

Outro aspecto importante da edificação é a questão urbanística. É necessário consultar a Lei de Uso e Ocupação do Solo do Município, para saber se o local permite o estabelecimento veterinário. A partir disso, deve-se consultar também o Código de Obras de cada município. Em geral, os municípios pequenos não o possuem e acabam por usar a Lei de Uso e Ocupação do Solo, que é obrigatória em todos eles. Nesses casos, essa lei costuma remeter ao fato de a construção ter como base parâmetros do Código Sanitário do estado correspondente. É obrigatório também o atendimento ao Código Sanitário Municipal, comum para médias e grandes cidades. 

Fica evidente que, perante tanta regulamentação de diferentes níveis federativos, um projeto arquitetônico da área de saúde animal não é algo que se possa improvisar.

Por fim, a arquitetura e a engenharia de um imóvel utilizado para fins de atendimento médico-veterinário devem comunicar valor ao cliente. Abordaremos nesta coluna temas relacionados com esses valores, buscando auxiliar os médicos-veterinários empreendedores – ou que desejem empreender nessa área – a ter ideias exequíveis para melhorar (ou montar) um negócio nesse ramo e entender os diversos aspectos legais relacionados a ele.

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